• Etiene Flor // Ilustra que me gusta

Na contramão da efemeridade, exposição Coleflor traz convite para respeitar o tempo

Trabalho da artista paranaense Eti Pellizzari Spack apresenta sinergia entre ilustrações, plantas e sensibilidade.



Percorrendo um caminho poético entre elementos da natureza e ilustrações afetivas, a exposição Coleflor instiga a refletir sobre a passagem do tempo e a sutileza dos detalhes. O trabalho da artista curitibana Eti Pellizzari Spack tem como substância folhas e flores coletadas em diferentes lugares e estações. “O frenesi de informações e imediatismo que nos cerca causa uma sensação constante de falta de tempo. Em contrapartida, a proposta do Coleflor requer paciência e calma, porque cada flor abre no seu momento adequado. Os processos de coleta e secagem também demandam persistência, então, cada peça remete à tentativa de conter o efêmero, fixando cores e texturas”, explica Eti. Segundo a artista, a intenção é suscitar a dualidade entre o tempo de preparação das flores em oposição ao tempo digital apressado; e o tempo de transformar elementos em algo novo contrapondo a substituição impaciente de itens desprovidos de significado. “A ideia também é despertar lembranças, como o sentimento que temos ao encontrar uma flor especial guardada dentro de um livro em outro momento da vida, por exemplo”, comenta. Desenvolvida desde 2016, a série Coleflor cria composições de maneira intuitiva, dando espaço para percepções subjetivas. As 15 obras expostas mesclam técnicas manuais e digitais minuciosas, além de utilizar uma paleta de cores baseada nas próprias plantas secas. Entre os trabalhos, estão nomes inspirados em palavras indígenas, como "Anauá", que significa "árvore de flor"; e "Obiru", que representa uma "folha que secou". Olhar Paraná A exposição integra o projeto itinerante Olhar Paraná, que teve início em 2011 e já realizou cerca de 200 mostras em diferentes cidades. Conforme a analista de artes visuais e audiovisual Juliana Perrella, do Sesc Paraná, as obras da Coleflor são universais, impactando desde o público infantil até idosos. “Os temas que podemos trabalhar na parte educativa também são amplos: estações do ano, cores, colagem, desenho, aquarela, flores, enfim, uma gama imensa de assuntos. Além de tudo, as obras atraem o olhar, as pessoas se interessam tanto pela imagem quanto pela técnica”, afirma a analista. Texto de Gabriela Titon.


EXPOSIÇÕES

2018

SESC APUCARANA


2017

SESC PATO BRANCO

SESC FLORIANÓPOLIS